Endometriose


ENDOMETRIOSE

 

  • Causas da endometriose:

Existem várias teorias para explicar o aparecimento da doença, sendo que as mais aceitas são a da menstruação retrógrada ( refluxo espontâneo de sangue menstrual para a cavidade pélvica pelas tubas ), metaplasia celômica, fatores imunológicos e genéticos. Sem dúvida, o fato das mulheres adiarem cada vez mais a primeira gravidez e também engravidarem com menor frequência contribuiu muito para o aumento da incidência da doença.

  • Sintomas

O principal sintoma é a dor menstrual, muitas vezes intensa. Estudo realizado no Reino Unido mostrou que a dor menstrual causada pela endometriose é a principal causa de falta ao trabalho. A dor em casos mais graves também pode ocorrer fora do período menstrual e é comum também dor no ato sexual, que muitas vezes gera disfunções sexuais importantes.”

  • Diagnóstico

O diagnóstico ē feito pelo quadro clinico, laboratorial, exames de imagem ( ultrassom e ressonância magnética) e eventualmente cirúrgico ( laparoscopia ou laparotomia). A queixa clássica é dor menstrual de forte intensidade, que muitas vezes não melhora com o uso de analgésicos e antiiespasmódicos mais comuns, dor menstrual que não melhora de forma significativa com uso de anticoncepcional oral, dor no ato sexual e eventualmente infertilidade. O exame ginecológico ē indispensável e o encontro de nódulos dolorosos retrouterinos no toque vaginal é um dado muito sugestivo da presença da doença. O exame laboratorial que se utiliza é a dosagem do CA125 ( marcador tumoral), o problema ē que ele só vai se alterar em 30%dos casos e a alteração quando presente. Até alguns atrás o padrão ouro para o diagnóstico era a videolaparoscopia, hoje com o surgimento de novas técnicas de ultrassom com o ultrassom transvaginal com doppler colorido apōs preparo intestinal para mapeamento de focos de endometriose e com a aplicação rotineira da ressonância magnética chega-se a um diagnóstico de forma mais simples e segura e quando indicamos a videolaparoscopia já é para realizarmos a cirurgia, com a vantagem de já conhecermos a localização  das lesões.

  • É hereditária?

Sim, certamente existe um fator genético envolvido.

  • Causa infertilidade?

É uma das principais causas de infertilidade feminina, seja em decorrência do quadro inflamatório, seja pelas alterações anatômicas que pode acarretar.

  • Outras consequências:

Dor pélvica crônica que compromete significativamente a qualidade de vida; dor no ato sexual comprometendo vida afetiva e conjugal.

  • Incidência:

Estima-se que 15% da população feminina apresenta a moléstia.

  •  Tratamento

O tratamento pode ser clinico ou cirúrgico. A cirurgia por via laparoscópica  é a forma mais efetiva de se tratar a doença, com remoção total das lesões. Mesmo com a remoção total das lesões a endometriose recidiva em 15% das pacientes. No tratamento clinico já foram empregados diferentes medicamentos tais como anticoncepcionais orais contínuos, progesterona de depósito, danasol, gestrinona e mais recentemente agonistas do GnHRh e principalmente o Dienogest. Essa droga está disponibilizada no Brasil há 2 anos e na Europa há 4 anos e os resultados tem sido muito alentadores.

  • Classificação:

Atualmente admite- se que existam várias formas de endometriose que podem ser classificadas de acordo com o grau de infiltração nos tecidos ( superficial- infiltração de até 5 mm e profunda- infiltração maior que 5 mm); pela histologia ( glandular ou estromal), pela topografia ( vesical, peritoneal, ovariana, parede abdominal, intestinal). É comum encontrarmos coexistência das várias formas de endometriose em uma única paciente.

  •  Cuidados

O primeiro cuidado é sempre procurar um ginecologista sempre que apresentar dor menstrual significativa e/ ou dor no ato sexual. Comprovadamente mulheres com hábitos de vida mais saudáveis e que praticam atividade física regularmente respondem melhor ao tratamento.

  • Prevenção

O uso de anticoncepcionais orais, ao contrário do que se imaginava anteriormente, não previnem o surgimento da doença ( e nem tratam), apenas atenuam os sintomas. Existem indicios que o uso de SIU- LNG controlam formas mais brandas da doença e reduzem as recidivas em pacientes submetidas a cirurgia. Mulheres que engravidam cedo e tem múltiplas gestações tem menor incidência.

  • Faixa etária- números atuais

Por diferentes razões a tendência é ocorrer um aumento na incidência da doença e entre outras podemos citar: cada vez mais opta-se pela primeira gravidez após os 30 anos; número menor de gestações; stress; etc. Observa- se também que esta ocorrendo maior conscientização da doença tanto pelos  ginecologistas, que estão diagnosticando mais e também das mulheres, que cada vez tem se preocupado com dor pélvica anormal.

A endometriose ē uma doença que atinge a mulher no período de vida reprodutora. Classicamente considerava- se que incidia com maior frequência após os 30 anos, mas com a evolução dos exames de imagem principalmente, observamos cada vez endometriose em mulheres mais jovens inclusive adolescentes. Em 5% das vezes pode ocorrer ou persistir após a menopausa.